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Educação e Tecnologia

Pesquisa de MS aponta que gengibre acaba com “superbactérias”

Cientistas desenvolveram óleo que causou a destruição dos microorganismos durante testes

Por Adriel Mattos | 26/06/2022 13:25
Pesquisadores alertam que óleo de gengibre não pode ser feito em casa. (Foto: Forrest e Kim Starr/Starr Environmental)
Pesquisadores alertam que óleo de gengibre não pode ser feito em casa. (Foto: Forrest e Kim Starr/Starr Environmental)

Uma pesquisa realizada em parceria da UFGD (Universidade Federal da Grande), UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e Unigran (Centro Universitário da Grande Dourados) atestou a eficácia do gengibre no combate a bactérias hospitalares multirresistentes. O estudo foi publicado na plataforma anglo-neerlandesa ScienceDirect.

A pesquisa, inclusive, integra o tema da tese da doutoranda Marcia Soares Mattos Vaz, orientada pela professora Simone Simionatto, da UFGD. Além da pós-graduanda e da docente, participam do estudo e assinam o artigo os pesquisadores Euclésio Simionatto, Eduardo João Coutinho e Maiara Viviane Oliveira dos Santos, da UEMS, Thiago Leite Fraga e Gustavo Gomes de Oliveira, da Unigran, e Gleyce Hellen de Almeida de Souza, da UFGD.

O grupo desenvolveu um óleo essencial de gengibre e testou sua eficácia contra “superbactérias” encontradas em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Os testes foram realizados tanto in vitro (por meio de culturas celulares, isoladamente), quanto in vivo (em camundongos), para a verificação de seu potencial na inibição do crescimento das bactérias.

No teste in vitro, o grupo verificou que o óleo causou a lise da bactéria, ou seja, a destruição ou a dissolução do microrganismo, o que foi confirmado nos experimentos in vivo, feitos com camundongos. “No animal, induzimos um processo de infecção, fizemos o tratamento com o óleo e observamos que realmente ele é capaz de controlar o processo infeccioso dos camundongos”, declarou a professora.

A pesquisadora explica que esse trabalho é o primeiro passo na descoberta de um novo composto que possa ter uma atividade antimicrobiana eficaz. “Muitos outros estudos ainda são necessários para que possamos ter um candidato ao desenvolvimento de um novo antibiótico”, diz Simone.

A doutoranda Marcia, terceira da esquerda para a direita, e a professora Simone, quinta da esquerda para a direita, durante trabalho em laboratório. (Foto: Divulgação/UFGD)
A doutoranda Marcia, terceira da esquerda para a direita, e a professora Simone, quinta da esquerda para a direita, durante trabalho em laboratório. (Foto: Divulgação/UFGD)

A próxima etapa será a análise de cada componente do óleo, de forma isolada. “Precisamos verificar qual é o papel de cada um deles para identificar qual ou quais deles ou que associação entre esses componentes possuem atividade antimicrobiana. Feito isso, partiremos para testes em mais bactérias”, conta a docente.

Ela alerta que, mesmo diante de experimentos tão promissores, o uso indiscriminado e autônomo do gengibre ou de seus derivados, como o óleo essencial, não é eficaz quando feito de forma caseira, já que os testes estão sendo efetuados especificamente em bactérias encontradas em infecções hospitalares.

Graduada em Farmácia e Bioquímica pela Unipar (Universidade Paranaense) e mestre em Ciências da Saúde pela UFGD, a doutoranda Marcia Soares Mattos Vaz participou do estudo e fez dele o tema de sua tese.

“Além de participar de um grupo de pesquisa muito sério e comprometido, eu e meus colegas fomos capazes de encontrar um produto que pode atuar contra essas bactérias, que representam perigo não somente no ambiente hospitalar restrito, mas, também, na sociedade como um todo, uma vez que elas já transcendem os limites das unidades de saúde e são muito prevalentes em infecções comunitárias, gerando situação sanitária delicada e perigosa, sobrecarregando ainda mais os sistemas de saúde do Brasil e do restante do mundo”, comentou.

Ela conta que já havia passado pela experiência da busca por possíveis novos medicamentos durante o mestrado, quando pesquisou sobre a hiperuricemia (excesso de ácido úrico no sangue), também na Faculdade de Ciências da Saúde da UFGD.

“É gratificante tanto para mim quanto para o grupo de pesquisa, pois sabemos que bactérias multirresistentes representam um grande problema dentro de UTIs em todo o mundo e estão frequentemente associadas a altas taxas de morbidade e mortalidade. Ou seja, comprovar que uma substância pode ser nova candidata no tratamento dessas infecções é de extrema importância”, diz Marcia, alegando que pretende seguir atuando nessa linha de pesquisa e que novos trabalhos já vêm sendo elaborados.

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