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Capital

Na plateia, mãe assiste filho ser julgado no dia do aniversário

Alisson dos Santos, o “Fusca”, faz 27 anos hoje e é acusado de participar da morte de Sônia Estela

Por Geisy Garnes e Bruna Marques | 24/11/2021 13:45
Sônia foi morta no dia 2 de abril, no Jardim Noroeste (Foto: Henrique Kawaminami)
Sônia foi morta no dia 2 de abril, no Jardim Noroeste (Foto: Henrique Kawaminami)

Desde o dia 9 de abril do ano passado, a família de Sônia Estela Flores dos Santos, de 22 anos, espera justiça por sua morte. Ela foi ferida a tiros no lugar do marido, enquanto segurava a filha de apenas 4 meses, e não resistiu.

Seis homens foram apontados como autores do atentado e nesta quarta-feira (24), o desfecho começou a ser traçado no plenário do Fórum de Campo Grande.

O que pouco se fala, no entanto, é que uma das cadeiras do auditório sempre é destinada ao outro lado. Sentada em silêncio, outra mãe assiste a decisão sobre o futuro do filho. Ela preferia estar comemorando, conta. Hoje, o dia em que pessoas desconhecidas podem condenar seu menino, ela lembra do dia em que ele nasceu.

Alisson dos Santos Ferreira, conhecido como “Fusca”, faz 27 anos hoje. “Muito doloroso. Mãe nenhuma merece passar por isso que estou passando. Queria muito dar um abraço nele”.

Com a dor da privação de contato visível nos olhos, a mãe, mulher de 50 anos que pediu para ter o nome preservado, lembrou dos meses que antecederam a prisão do filho. Ele estava bem. Trabalhava como servente de pedreiro com o pai, vivia um novo relacionamento e tinha a própria casa. Alisson já havia sido preso. Aos 21 anos, acabou na cadeia por tráfico de drogas e assim que conseguiu ir para o regime semiaberto fugiu.

Na época em que Sônia foi assassinada, ele estava foragido do sistema prisional, mas, segundo a mãe, “começava a reconstruir a vida” no Jardim Noroeste. No dia 9 de abril, era na casa da mãe que Alisson estava. Tinha ido “assentar” uma pia e saia no portão com um carrinho de mão cheio de ferramentas quando os tiros que mataram a jovem de 22 anos ecoaram no bairro.

“Ainda briguei com ele. Falei, tá escutando esses tiros aí? Você fugiu da Gameleira e fica dando sopa no Noroeste, com um monte de polícia aí. Você tá foragido”, relembrou. Para a polícia, apesar de Alisson não estar no local crime, foi essencial na organização do atentado. Foi ele quem monitorou Mateus Pompeu Dias, marido da vítima, e repassou detalhes da rotina as lideranças da facção criminosa.

“Se ele deve, que seja feita a justiça de Deus e do homem. Na hora do crime tenho prova e testemunha de que meu filho estava em casa”, afirmou a mãe. Nesta manhã, em depoimento aos jurados, Alisson negou qualquer participação no crime.

Além dele, são julgados Sidnei Jesus Rerostuk, o “Capetinha”, e Crevan Silva dos Santos, o “Neguinho”. Além deles, outros três homens foram apontados pela investigação como responsáveis por organizar o atentado que acabou com a morte de Sônia.

Os seis homens foram mandados a júri popular pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, mas as defesas de Flávio Vinicius Ferreira da Silva, o “Destro PCC” e Kaio Humberto Gomes dos Santos, conhecido como “Diabólico”, recorreram e por isso o processo foi desmembrado. Enquanto os dois acusados aguardam a decisão da justiça, os outros três são julgados. O último réu, Glyquison Mendes dos Santos, o “Kiko”, está foragido desde o crime.

O crime – No dia 2 abril do ano passado, no Jardim Noroeste, Sônia Estela Flores dos Santos, de 22 anos, morreu por engano, atingida pelos tiros destinados ao marido Mateus. Ela estava no carro da família, um Chevrolet Celta, ao lado do marido e com a filha de 4 meses no colo, quando foi ferida pelos disparos feitos por homens em uma motocicleta.

Para a polícia, Flávio Vinicius, o “Destro PCC”, de dentro do sistema prisional de Mato Grosso do Sul deu a ordem para matar Mateus.

Sidnei e Alisson monitoraram o alvo e repassaram todas as informações para as lideranças da facção criminoso. No dia do crime, foi “Capetinha” que contou onde o casal estava minuto antes da execução.

Glyquison apontou o local exato das vítimas, onde os executores deveriam encontrá-las, pagou o combustível da moto usada por eles no crime e por fim deu guarida aos assassinos: Crevan e Kaio.

De moto, os dois perseguiram o carro da vítima, emparelharam e o passageiro sacou a arma e atirou. Foram dois disparos. Um deles pegou no rosto de Sônia, que estava no banco de passageiro. A filha mais velha da vítima, de 4 anos, estava no banco de trás. Desesperado, o marido da jovem arrancou com o carro e dirigiu até o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande.

Foi na unidade prisional que pediu socorro. Enquanto um agente penitenciário acionava o Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), uma equipe decidiu escoltar a família até um hospital. Os socorristas encontraram o Celta no meio do caminho, na Avenida Ministro João Arinos, mas Sônia não resistiu.

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